Saindo de Portimão, tenha como destino imediato a Igreja de Mexilhoeira Grande ou Igreja Nossa Senhora da Assunção.
Pare no seu adro e deixe-se invadir pela sensação de tranquilidade tão característica dos núcleos rurais, e permita-se recuar até ao tempo em que aquela área era repleta de espelhos de água que harmonizava com o azul Atlântico em fundo.
Quando se construía um templo religioso, tinha-se a preocupação de procurar a integração deste com o espaço natural envolvente, até porque Deus é perfeição. Sendo a natureza obra do criador, faz todo o sentido que se procure uma harmonia que reúna em si as condições ideais para reflexão e oração.
As marcas visíveis do Estilo Manuelino, encontramo-las na Porta Sineira da Torre e na Porta Lateral da igreja.
A Porta Sineira, mais simples, é ladeada por colunelos que assentam em bases trabalhadas, e que terminam com decoração vegetalista e encordoamento.

A Porta Lateral, como faz parte do corpo da igreja, é já mais trabalhada. As colunas têm dois capitéis com motivos vegetalistas e assentam numa base octogonal. A parte superior da porta é bastante invulgar, pois tem uma figura geométrica pontiaguda (normalmente estas portas terminam em redondo). Impressas na pedra, as “esferas armilares” simbolizam o mundo. D. Manuel queria dar “novos mundos ao mundo”, como disse Camões.

De Mexilhoeira Grande siga para a Igreja Matriz de Alvor ou Igreja do Divino Salvador. A Igreja Matriz de Alvor é a mais célebre da Vila, ex-líbris do património Manuelino no Algarve.
A porta principal está voltada a poente, tendo à sua frente a Vila Velha. Esta porta, toda ela manuelina, constitui um elemento arquitectónico de rara beleza. Rica em pormenores que nos remetem a uma viagem fantástica à época dos Descobrimentos.
Foi justamente neste pórtico principal que os construtores mais se esmeraram. É o mais belo de todo o Algarve, esculpido em grés da região, com intercolúnio delicadamente trabalhado com motivos alusivos à fauna e flora, cenas bélicas e símbolos religiosos.
Aí, o canteiro, de uma forma por vezes um pouco ingénua, esmerou-se usando de toda a sua imaginação num espaço dividido em edículas.
Na fachada Sul, existe outra porta manuelina, com colunas de base octogonal e capitéis mais simples que formam uma moldura exterior que integra figuras exóticas enlaçadas por cordas.
A verga da porta é lobulada e terminada por uma pinha. Este arco apresenta dois pendentes que nascem de carrancas e têm a aparência de romãs, símbolo de felicidade, fertilidade e alegria.
Na cabeceira da igreja, virada a nascente, encontramos um pormenor que muitas vezes passa despercebido, embora se trate de um elemento de grande beleza. Trata-se de um Óculo, também manuelino, ladeado por duas gárgulas zoomórficas.

De regresso a Portimão, se ainda se sentir com energia, saiba que as marcas do Manuelino no património não se esgotaram por aqui.
Em Portimão, mergulhe ainda no casco histórico da cidade e tente encontrar:
Porta Manuelina, exemplo da arquitectura civil quinhentista, Rua Santa Isabel, 106.
A porta manuelina da actual Junta de Freguesia de Portimão, no Colégio dos Jesuítas, terá sido recuperada de outro edifício, durante a construção, pois não se enquadra na traça do todo edificado.
Por fim, e se para além de curioso for corajoso, saiba que nas ruínas da Igreja do Convento de São Francisco se encontra um Pórtico Manuelino de algum interesse.

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Igreja Matriz de Mexilhoeira Grande
Enquadramento histórico
No inicio do século XIV, D. Francisco Castelo Branco, importante Senhor de Portimão, manda construir a igreja que só estará concluída no ano de 1534.
D. Francisco chama a seu serviço construtores de Lagos e Silves, e não prescinde também da presença de um construtor de Vila Franca de Xira, seu amigo pessoal.
Estes mestres vêm construir o templo, mas trazem dentro de si duas tendências artísticas. A primeira ligada ao passado, mais propriamente ao tempo de D. Manuel e subsequente Estilo Manuelino e a segunda mais contemporânea, ligada aos clássicos antigos, mais precisamente o Estilo Renascentista, ambos visíveis no templo.

Igreja Matriz de Alvor
Enquadramento histórico
Relembramos que Alvor era governada pelo Alcaide Álvaro de Ataíde em cuja casa se alojou D. João II, aquando do seu tratamento nas águas termais de Monchique, onde se deslocava para tratar uma enfermidade conhecida como “barriga de água”.
Em Outubro de 1495, morre D João II. E é também em Alvor que por decisão régia, antes de morrer o rei nomeia o seu sucessor e futuro rei de Portugal, seu cunhado D. Manuel.
No final do mesmo ano, D. Manuel decide elevar Alvor à categoria de vila, fazendo-lhe algumas doações e ordenando a construção da Igreja Matriz.
Contextualizando económica, cultural e socialmente a época, devemos lembrar que se estava em plena época dos Descobrimentos, época de inovação e em que os cofres do estado estavam a abarrotar de riquezas vindas das terras descobertas. Esta conjuntura vai naturalmente reflectir-se na magnificência do templo, considerado por muitos o monumento manuelino mais completo do Algarve.


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